Hábitos alimentares, o que mudou?

Sabe o que anda a comer?
Porquê que a designação “fruta da época” já não faz sentido nos dias de hoje?
E os rótulos cada vez com mais informação detalhada sobre o que constitui um alimento?

Pois bem, a isto tudo e muito mais chamamos a evolução dos hábitos alimentares.
Mas esta moda já não é de agora, lembro-me dos meus avôs falarem que só se comia castanha na altura do magusto e depois esta foi substituída pelas batatas por ser uma cultura mais rápida em comparação ao castanheiro.
Ou seja, agricultores sempre foram os visionários no setor alimentar, uma vez que, fome não se podia passar ou então era tudo muito bem contabilizado.

Mas a globalização ou a internacionalização ou abertura a novos mercados trouxeram pessoas com gostos alimentares novos que, de um certo modo, potenciaram a curiosidade dos cá estavam.
Por isso, é que temos fruta tropical todo ano, morangos todo ano, batata doce todo o ano, perecíveis e transformados todo o ano, bagas de goji todo ano, mirtilos todo o ano, tudo durante o ano inteiro.

Mas com esta abertura também originou problemas agro-sanitários graves como em 2011 em Espanha e Portugal milhares de agricultores viram-se obrigados a despejar toneladas de hortícolas para o lixo pela suspeita de E. coli em pepino e tomate. Em pleno Verão os preços destes e de outros legumes diminuíram drasticamente e, só mais tarde após excessiva polémica da comunicação social sobre esta temática, descobriram que o foco tinha sido em rebentos de soja na Alemanha.
O problema estava na Alemanha mas mexeu imenso com a economia dos pais do sul da Europa como Portugal, Espanha e Itália.

Estavam em perfeitas condições de consumo mas foram para o lixo.

Mas nem tudo é mau e são necessárias evoluções e revoluções para haver espaço a inovação como os alimentos energéticos, as saladas prontas, alimentos embalados e pré-embalados, os alimentos sem alergênios como leite, ovo, trigo, moluscos e crustáceos, peixe, soja, amendoim e frutos de casca rija, sementes de sésamo, aipo, mostarda, tremoço e dióxido de enxofre e sulfitos.
Este último grupo de alimentos são na maioria das vezes mais caros que os restantes e utilizados por um grupo de pessoas que são alérgicas ou mesmo intolerantes ao alimento ou a mistura desse alimento com outros.

Mas será que não podem mesmo comer?
Se comerem o que lhes acontece?
Qual o grau de alergia?

O que é certo é que tem se registado um crescimento em intolerâncias / alergias alimentares mas, estará co-relacionado com o uso generalista de pesticidas?
Os pesticidas que são degradados pelo o nosso organismo e expelidos desequilibram o ecossistema?
As ETAR’s estarão prontas para tratar águas com toxidades diferentes?
E as toxinas que não são degradadas pelo nosso organismo acumulam-se? De que forma?

Estará o nosso organismo assim tanto evoluído para poder consumir todos os alimentos novos que surjam no mercado?

Estas são algumas questões (sensíveis é certo) que normalmente costumo colocar aos representantes nas feiras agro-alimentares fase a um novo e inovador alimento.

Antes de comer com a barriga é necessário primeiro com os olhos analisar bem de onde, como é produzido para não provocar problemas no futuro ou nas gerações futuras.

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