Cartão de Aplicador vs Lista de substâncias ativas homologadas para uso não profissional

Em meados de 2016 houve um pico de adesões aos cursos de formação de aplicador de produtos fitofarmacêuticos com aplicação manual ou mecanizada. Os agricultores foram obrigados a ter esta formação, onde se informava-se sobre proteção integrada, agricultura em modo biológico, doses, concentrações, débitos, modos de aplicação, interpretação de rótulos, gestão de resíduos, uso e função dos equipamentos de proteção individual (EPI’s) os famosos fatos verdes ou brancos, como muitos lhes chamavam, para poderem comprar fitofármacos nas casas comerciais ou cooperativas e associações.

O que para muito gerou revolta na obrigação do cartão onde mencionavam que era tudo “interesses” por parte de quem vendida a formação e os EPI’s, para outros foi a oportunidade do regresso a uma sala de aula para tirem as suas dúvidas de vários anos e aprenderem a economizar na carteira: muitos deles ainda vinham com a “ideia da tampinha” e verificaram no final do curso que estavam as gastar mais produto e água para a área e cultura a tratar.

De uma forma geral todos os agricultores que necessitassem de produtos fitofarmacêuticos teriam de apresentar ou o comprovativo da inscrição ou o cartão de aplicador ou o comprovativo da emissão deste mesmo, para obter junto das casas representativas aumentando assim a necessidade da compra dos EPI’s e dos sacos para os resíduos.

Mas há um nicho que “agricultores” das hortas, hortinhas e quintais que na maioria das vezes praticam uma agricultura de subsistência ou, até mesmo para quem cuida de jardins que ignorou esta medida e continuaram a usar os produtos fitofarmacêuticos para jardins que por sinal são até três vezes mais caros que os outros adquiridos com cartão.

Mas o verdadeiro problema não é aonde estas pessoas compram mas sim, a forma como aplicam. Adquirem um produto já pronto a usar e usam-o em tudo tanto na horta, como no seu jardim muitos deles sem EPI’s, no pico do calor, sem interpretar o rótulo e sem a informação sobre a toxidade de determinadas substâncias ativas provocam no nosso organismo por inalação ou ingestão. Ou seja, sem formação.
E a informação que temos na Internet por parte das entidades que regulam esta temática é uma lista de substâncias ativas homologadas para o uso não profissional. Ou seja, qualquer cidadão pode aplicar numa horta ou até mesmo num canteiro, as vezes que entender que nesta temática: “Vamos lá colocar mais um pouquinho disto porque assim mata o bicho todo” e depois há casos de fitotoxidade, substâncias ativas lixiviadas e acumulação de fitofármacos no organismo que potenciam problemas de saúde no futuro. E o pior não há um caderno de campo com os registos de aplicação e o modo de aplicação ou até mesmo o respeito de intervalo de segurança. Sim, Intervalos de Segurança… Sabem o que é? Quem não sabe interpretar o rotulo só está a intoxicar-se a si próprio e aos outros.

Os agricultores foram “obrigados” a obter o cartão e a voltar as salas de aulas.

Por um lado temos os agricultores que aprenderam tudo o que sabem com os seus ascendentes e foram evoluindo com a nova legislação e formação sobre Proteção Integrada, Agricultura Biológica, Cálculos de doses e Débitos por hectare e culturas.

Por outro temos os “agricultores de fim de semana ou de fundo de quintal” que ignoraram a legislação, pagam mais pelos produtos e estragam o ambiente e a saúde de todos nós.
Sim, mas estes não comercializaram ?
É para casa, certo?
São só legumes lá de casa?
E quando não é ?
É produção primária e saúde pública. Daí a importância de saber bem onde e como foi produzido, para quem e como vai ser vendido. Para haver segurança alimentar as rastreabilidade a montante e a jusante.

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