É seguro só luta química num jardim?

Na maioria das vezes um jardim é um pequeno espaço com área de grande contato suscetível a todos crianças, adultos, animais pelos 5 sentidos pelo toque, ingestão, visão, audição e inalação do meio envolvente.

Os produtos fitofarmacêuticos são na maioria usados por primeira necessidade ou por último recurso.
Os fitofármacos destinados aos jardins (sem a necessidade da aquisição de cartão de aplicador ) são norma mais caros que quando comprados nas cooperativas agrícolas e associações. Mas há uma lista mais elaborada pela DGAV onde menciona as substâncias ativas homologadas para o uso não profissional. Mas este tema irei abordado-lo na segurança alimentar.

Quanto aos produtos fitofarmacêuticos será mesmo necessário a sua aplicação quando num pequeno ecossistema onde todos os organismos como bactérias, vírus, insectos, pequenos roedores, aves fazem parte de uma cadeia alimentar fundamental para a sustentabilidade?

Todos eles são necessários mais dentro determinados limites ou seja, ninguém quer o desequilibro agro-ecológico.

Há de ter em conta determinados factores:

Se a planta está ou não em quarentena (como o caso de algumas ornamentais com (Xylella fastidiosa) talvez o problema manifesta-se mais num hospedeiro secundário que num principal. Sem falar nos fatores de produção como a adubação excessiva em azoto que potencia o crescimento dos afídeos. Estes picam sugam e deformam as folhas mais novas ou as mais tenras.

Por isso antes de construir o seu jardim opte por plantas que em consociação não tem o mesmo hospedeiro ou este manifesta-se em diferentes alturas do ano. Opte sempre por rotação de culturas de famílias diferentes se possível. Desta forma, para além de moldarmos o nosso jardim estaremos a executar um luta cultural.

Acompanhar os avisos das estações agrícolas da região em causa de forma mais crítica e objetiva adaptando a realidade que possui.
Há praticas como a poda, monda, a colocação de plantas repelentes ou atrativas que previnem o problema controlando os prejuízos e deste modo estarmos a fazer um luta mecânica ou física.

Um jardim é para desfrutar tanto com as mãos, olhos e estômago e, por isso, quanto mais produtos fitofarmacêuticos aplicar mais “perigoso” o seu jardim fica, se não forem respeitados as doses do rótulo, o uso dos equipamentos de proteção individual e o intervalo de segurança.

Mas se acredita na eficácia das mezinhas (por exemplo infusão de urtigas) que as nossas avôs ensinaram então aplique mas com os mesmo cuidados.

Senão há outras soluções como a luta biotécnica com o uso de armadilhas com feromonas de atração sexual, como um dos exemplos. Esta prática é muito utilizada para a ordem lepidoptera (traças e borboletas) onde o macho é atraído sexualmente por dispositivo com o odor da fêmea e morre colado ou afogado nas armadilhas. Neste caso a nossa intensão recai no desencontro entre macho e fêmea para este não acasalarem.

Por outro lado também temos a luta biológica que podemos criar dentro do nosso jardim estruturas ecológicas que servem da abrigo para os organismos auxiliares por exemplo um muro pode servir de “casa” para determinadas aves que se alimentam de larvas de traças. Assim estas aves alimentam-se principalmente do agente que queremos controlar sem prejudicar a nossa colheita.

E quando não há larvas suficientes para aves?
Quem é o nosso inimigo?

O verdadeiro problema está aqui:

Há fitofármacos de largo espetro que eliminam tudo: os inimigos e os auxiliares.

E quando os inimigos ganham resistência ao fitofármaco que estamos aplicar? E nós não temos os auxiliares?

Aqui está outro problema.

Um jardim com vida está sempre em perfeita mudança quando este é auto-sustentável e resiliente.

A luta química é necessária mas só quando as lutas física, biotécnica, biológica e cultural falham. Porque estas também faltam e nós com donos do jardim devemos estar atentos aos organismos que damos abrigo seja o inimigo seja o auxiliar.

Estas 5 lutas são a base da proteção integrada de devemos ter sempre em mente quando se fala em agronomia.

E a linha de condução é sempre:

Luta Cultural, Luta Física ou Mecânica, Luta Biológica, Luta Biotécnica e, por fim mas não menos importante a Luta Química.

“Tudo é efêmero até mesmo os problemas fitossanitários.”

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