Da cidade para o campo

Nós dias hoje há uma tendência natural no regresso ao interior em busca de novos horizontes, empregos, oportunidades no mundo agrícola. São os chamados novos rurais ou jovens agricultores que buscam uma mudança nas suas vidas, uma valorização de uma herança de terrenos ou a solução para a precariedade na cidade.

Este fluxo de criar uma melhor qualidade de vida para quem deixa os grandes centros urbanos, mas também “colonizar” um interior rico área e materiais, mas deficitário em jovens. Estes trazem a esperança em aldeias desertificadas e abandonadas à sua sorte. Muitos destes jovens não se encaixam no quotidiano urbano: as filas de trânsito, os horários fixos, as chefias, o stress “das tarefas feitas para ontem”.

Mas curiosamente todos têm o desejo do seu próprio negócio, mesmo que isso implique trabalhar de sol a sol, sobre condições atmosféricas que nada se compara a estarem sentados confortavelmente numa secretária. O que lhes compensa é a liberdade de decisão, serem donos de si próprios, qualidade de vida e o prazer de trabalhar com a natureza.

Mas nem tudo são rosas perfumadas também há espinhos…

As dificuldades na elaboração do projeto, o mau aconselhamento financeiro e técnico por falta de investigação do mercado. Por ser uma nova área que lhe retira da zona de conforto por vezes caem no conto do vigário ou na ladainha da cobra. Não se envolverem no projeto de forma organizada e racional, confiarem em demasia e não serem críticos. Não serem alertados para os custos, prazos de última hora antes de iniciarem o projeto, a amortização do investimento, as formas de pagamento, lucros vs prejuízos e projetos todos iguais.

E claro sem esquecer a clássica pergunta: qual a cultura que dá mais dinheiro?

Quem andou numa escola agrária (seja ela Universidade, Politécnicos ou Profissional) e foi constantemente abordado com o tema jovens agricultores?

Qual a cultura que dá mais dinheiro?

Ao que respondemos: Todas… Sim Todas… Produzir é fácil e vai de encontro com a prática da tentativa e erro. Difícil: É vender e retirar receita (lucros) fase aos investimentos aplicados sejam estes o tempo no crescimento e desenvolvimento de uma cultura até ao consumidor final e espaço (área) que por vezes é mais um encargo.

Mas tenho mesmo de esperar este tempo todo para produzir maçãs?
E quanto não tenho maçãs para vender o que vou produzir para fazer fase às despesas?
E se for atacado por uma doença ou praga quem me paga às contas?
E a produção do leite vai acabar?
Qual o projeto cujo o prémio é o mais elevado?
Tanto dinheiro a fundo perdido, mas afinal quem é que vai pagar isto tudo? E os mirtilos? os kiwis? As flores exóticas? Os cogumelos? Isso tudo não será apenas modas? Há mercado nacional que aguente as importações de produtos agrícolas muitas das vezes de origem duvidosa?

É difícil enumerar estas questões mas preocupamos ainda mais enquanto estudantes haver tantas dúvidas sobre as “modas”, aos antigos agricultores e o “euromilhões” agrícola dos leigos.

Quando entramos no mercado de trabalho esta realidade é mais aprofundada, como costuma-se dizer: “Há de tudo como na farmácia”.

Existem projetos pioneiros, mas também existem projetos mal elaborados muito à custa da burocracia que envolve um projeto agrícola, as medidas e incentivos demorados e em constante mudança devido a interesses políticos, a falta de resposta por parte das autoridades competentes leva a que muitos jovens agricultores optem por serem autodidatas na elaboração do seu próprio projeto. “Eu consigo fazer um projeto agrícola sem uma empresa de consultadoria… Estas empresa só vendem os “seus” projetos, mas se olhamos bem é tudo “chapa 5 para quem ainda não sabe o que quer”.

E depois há relatos destes onde pensam que na internet encontram todas as respostas às suas dúvidas, mas esta respostas devem ser analisadas a pente fino porque não existem duas realidades iguais muito menos na agronomia.

E há que preparar quem não está familiarizado com o mundo rural que se não buscarem informação assertiva, não terem espírito crítico, força física e mental e capacidade de resiliência, o sonho de rentabilizar o campo torna-se num pesadelo de encargos fiscais.

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